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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Mãe e filha: um amor que atravessa o tempo

 

Existem relacionamentos que acompanham apenas uma fase da vida.

E existem aqueles que atravessam décadas.

O vínculo entre mãe e filha pertence a essa segunda categoria.

Ele começa antes mesmo do nascimento.

Cresce nos primeiros passos.
Nos primeiros medos.
Nas primeiras descobertas.

Depois muda de forma.

A menina cresce.

A mãe amadurece.

E ambas precisam aprender novamente a se encontrar.

Nem sempre é fácil.

Há momentos de proximidade.

Há momentos de silêncio.

Há momentos em que as diferenças parecem maiores do que o amor.

Mas o tempo costuma ensinar uma lição preciosa:

O amor verdadeiro permanece.

Muitas filhas só compreendem certos gestos da mãe quando se tornam mulheres.

Muitas mães descobrem que suas filhas não precisam apenas de conselhos, mas também de escuta, respeito e amizade.

Relacionamentos perfeitos não existem.

Mas relacionamentos cultivados florescem.

Uma conversa sincera.
Um abraço inesperado.
Uma palavra de perdão.

Pequenos gestos têm o poder de reconstruir pontes que pareciam perdidas.

Talvez seja por isso que a relação entre mãe e filha seja tão especial.

Porque ela não é construída apenas pelo sangue.

Ela é construída diariamente pelo amor.

E quando o amor permanece, mesmo depois das tempestades, ele se transforma em uma das mais belas histórias que uma família pode viver.

Por Damaris Lisboa

Fé que Abraça, Amor que Transforma


domingo, 31 de maio de 2026

Bem-vinda ao Sublime Mulher

 Algumas casas permanecem em nosso coração mesmo quando ficam em silêncio por um tempo.

O Sublime Mulher continua sendo um lugar de acolhimento, fé, reflexão e recomeços.

Se você chegou agora, seja bem-vinda.

Se já esteve aqui antes, é uma alegria recebê-la novamente.

Que este seja um espaço onde palavras abraçam, reflexões curam e mulheres florescem.

A casa está aberta.

Entre. Sente-se. Respire. 🌷

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Oi, eu sou Deus.

                              

   Sou Deus mesmo.

Aquele que criou os céus, a terra e toda a natureza animal e vegetal. Criei o homem, acredita? Sabia que o criei a minha imagem e semelhança? Você se parece comigo, posso perceber os traços que são fortes. Até sua personalidade, já tão deturpada, é original da minha.
É muito triste ouvir de algumas pessoas que você tem procedência animal. Acha que primeiro eu ia fazer o macaco para depois evoluir até virar seres racionais? Que tristeza! Tentam tirar o meu mérito e a glória de minha maior e melhor criação!
Você acredita que eu mandaria meu único e amado filho Jesus para sofrer e levar sobre si culpa, pecados e morrer na cruz para salvar... descendentes de macacos? Você sorriu? É, isto soa estranho mesmo!
Você ficaria abismado com o que eu ouço dos homens... , estudam, tramam, discutem e,imagine, querem descobrir como eu fiz a Eva! Você não pensa se eles não têm nada melhor para fazer? Eu sei... conheço o pensamento de cada um deles... seus desejos... e, principalmente, suas ambições. São inteligentes, mas falta a cada um deles a minha sabedoria .
Já permiti aos homens conhecerem a cura de todos os tipos de câncer, da aids e outras doenças. Eles só não descobriram ainda porque vão por caminhos errados. Vão atrás de suas ambições pessoais. Não unem esforços a favor de propósitos nobres, mas, cada um trabalha pensando em sua própria glória. Glória...! isto pertence a mim, sabia? Porque eles não se contentam com o reconhecimento e o valor da descoberta?
Não, não é o suficiente! Eles precisam ter como resultado a glória e a consagração.
Glória e consagração. Isto importa a todo mundo, não é? Alguns sabem a quem pertence. Estes são os que, como você, me conhecem. São os meus filhos.
Outros brigam, devoram-se, tentam crescer, subir e chegar a mim. Acredita que eles querem se igualar a mim?
E, minha filha, eu os permiti conhecer os mistérios da ciência, mas eles não se contentam e querem mais. Dizem coisas absurdas daquilo que para mim é tão simples. Se eles soubessem que os meus caminhos são os mais curtos, minhas respostas mais objetivas, minhas fórmulas as mais simples... Eles nem iam acreditar que eu sou Deus, porque para eles tudo tem que ser difícil e complicado. Muitos deles sequer acreditam que eu existo. Sabe por quê? Isto seria admitir que alguém acima deles seja realmente dono da "honra" e de toda "glória". Admitir que alguém tem mais poder, inclusive sobre a vida. Você já pensou que para eles é difícil acreditar que a vida me pertence? No dia em que eu soprei nas narinas de Adão, foi bom, muito bom. Tive uma sensação gostosa como ninguém jamais sentiu. Foi diferente dar a vida ao homem: foi um prazer inigualável. As vidas animal, vegetal e angelical não saíram de mim; eu criei uma vida e os dei, mas a vida do homem,esta saiu de mim. Não criei uma vida, mas tirei um pouquinho de mim, de dentro de mim e dividi com o homem. Será que minhas criaturas são capazes de criar e dar vidas como eu a dei? Diga a eles que soprem como eu soprei. Quem sabe, dá certo. Comigo deu. Eu falo, eu faço.

SEU DEUS!

At: Damaris Lisboa

quarta-feira, 4 de maio de 2022

MARIA CONFESSA A JOSÉ QUE ESTÁ GRAVIDA

 

               


         Poucas palavras foram trocadas entre José e Maria quando ambos se achavam sentados juntos no telhado da casa algumas horas mais tarde, naquela noite. José mantinha a cabeça imóvel entre as mãos, os olhos fitos no chão. Não via que Maria o contemplava com infinda compaixão e com expressão tal, como se os seus olhos pudessem afastar as sombras que cobriam o rosto do jovem, cujas feições pareciam ter envelhecido.

         – Diz-me uma palavra, Maria, balbuciou José rompendo finalmente o silêncio. Diz-me que não tem razão todos aqueles que te acusaram. Diz-me que eu acreditarei. Sei que o teu coração não encerra nenhum pecado.

     Eles falaram a verdade, José.

     Quem?

– Aqueles que disseram que eu trazia em meu ventre a esperança do mundo.

     Maria, eu não compreendo o que queres dizer.

     Vou ter um filho.

Um estremecimento percorreu o corpo de José. Ele ergueu a cabeça e levantou-se depois com certa dificuldade.

– Maria, sei que não há maldade em teu coração, disse. Possa Deus proteger-te sempre, estejas onde estiveres.

Curvou-se para a esposa e a deixou a sós na escuridão. Os olhos de Maria acompanharam a sua figura. Ela o viu atravessar cambaleante o jardim e desaparecer depois entre as casas iluminadas da cidade.

Ao chegar à pequena oficina de Reb Elimelech, José atirou-se no catre e começou a meditar no que devia fazer. Não alimentava ressentimento algum para com Maria, pois, no íntimo, sabia que não podia acusá-la de infidelidade. Tinha a certeza de que ela desejara dizer-lhe alguma coisa. Seus olhos lhe haviam falado com uma eloqüência que lhe era peculiar. Achava que só mesmo a obtusidade de seu espirito é que o impedira de compreender o que eles lhe queriam dizer. Haviam-lhe suplicado para que não a julgasse... Sim, Deus proibia que ele a julgasse. Ele tinha vindo de terras distantes... Quem poderia conhecer as atribulações por que ela passara antes de se terem encontrado? Quem podia saber da amargura que lhe pesava o coração, da qual se lhe via transparecer nos olhos apenas um vislumbre? Mas seria realmente amargura o que vislumbrara em seus olhos? Sem dúvida eles eram radiantes e esparziam um mundo de felicidade. Maria dissera que trazia no ventre a esperança do mundo. Ele não compreendera – e até mesmo naquele momento não compreendia o que ela quisera dizer com isso – mas a indizível alegria de seus olhos confirmavam aquelas palavras, colocavam-na longe do alcance de qualquer pergunta e de qualquer dúvida. Não podia caber no esplendor dessa alegria um pecado. Não inspirava piedade mas sim o desejo de se partilhar a sua felicidade.

Não havia, porém, lugar para ele naquela felicidade. Deveria ter surgido algum outro – alguém que ela julgara mais digno. Não estaria ele então sendo um empecilho para ela? Não iria ele ser a lembrança viva da censura? Não quisera condená-la. Fizera a sua obrigação. Assumira a responsabilidade do que se passara, confessara publicamente ter sido o autor de um ato vergonhoso qualquer que tivesse sido cometido. Maria salvara-se das garras da lei. Nada podia suceder-lhe agora. E, quanto a ele, a única coisa que restava a fazer seria afastar-se de suas vistas e sair de Nazaré, voltar para o lugar de onde viera. O povo da cidade iria naturalmente amaldiçoá-los quando saísse. Iriam dizer que casara com uma pobre órfã tão somente para abandoná-la depois, e seria, sem dúvida, uma coisa dolorosa deixar atrás de si um nome manchado, pensou. Poderia de algum lugar distante requerer o divórcio, de acordo com as leis de Israel. o que mais lhe iria pesar no espirito seria o sofrimento que causaria então ao seu parente, o bom Reb Elimelech. Desde o momento em que chegara até aqueles últimos dias, o velho Reb fora de uma grande bondade, protegera-o com toda a força de que dispunha. José sentiu-se torturado só em pensar no mau juízo que Elimelech haveria de fazer dele até o fim de sua vida. Mas até isso ele teria que suportar. Estaria disposto a pagar qualquer preço que poupasse Maria da vergonha e da aflição que a sua presença lhe causaria. Queria que ela ficasse imaculada e inocente perante a família e o povo de Nazaré.

sábado, 30 de abril de 2022

JOSÉ SE EXPRESSA DIANTE DA CONGREGAÇÃO

 


                                 Toda a congregação desviou seus olhos de José e fixou-os no chão como se o perigo que a noiva estava correndo fosse também o deles. José não respondeu imediatamente. Somente depois de uma expectativa que pareceu eterna é que levantou a cabeça e, fitando em cheio o rabino, disse em voz clara e ressonante:

         – Declaro perante esta sagrada congregação que minha noiva Maria, a filha de Hanan, é casta e sem mácula. Ela é inocente de toda e qualquer culpa, pois o culpado sou eu... Tratai-me agora de acordo com a lei.

         Suas palavras romperam a tensão reinante, seguindo-se-lhe forte reação. Punhos cerrados o ameaçavam de todos os lados. Subia na sala um vozerio eivado de ódio e ouviu-se, dominando aquele tumulto, Cleofas esbravejar, completamente fora de si.

         – Hei de exigir-lhe reparações! Hei de faze-lo indenizar toda a família!

         – O que foi que eu disse? gritou o sacerdote. Por acaso faltavam jovens nesta cidade para que abandonássemos a órfã Maria a este estranho que está fazendo a nossa mais nobre família passar por grande vergonha?

         O rabino impôs mais uma vez silêncio à multidão. Sentia-se aliviado, sabendo que havia afastado uma grande desgraça. Voltou-se para os parentes da noiva e disse:

         – O nosso jovem amigo José ben Jacob acaba de declarar-nos que desposou a noiva na maneira santificada pela Tora e pela lei de Moisés e Israel. Ele não lançou nenhuma vergonha sobre a família e ninguém tem direito de exigir-lhe satisfações. A partir de hoje, Maria, filha de Hana, é sua esposa legal e – virando-se para José – faço votos para que a vossa união seja abençoada com alegria e felicidades.

         O rabino encaminhou-se depois para José que ficara completamente confuso, estendeu-lhe a mão. Por fim, voltou-se para os presentes e concluiu com as seguintes palavras:

         – Povo de Nazaré! Construiu-se um novo lar em Israel! Desejemos a ele uma eterna ventura.

         O seguinte a aproximar-se de José foi Reb Elimelech.

         – Como sabes, José, não recorremos a tal processo em Israel, e eu esperava que a filha de meu irmão merecesse um casamento no altar. Mas com a ajuda de Deus o teu casamento será abençoado e tua esposa te dará muitos filhos e tu lhes proporcionarás uma boa educação.

         O velho retirou-se depois deixando José sozinho na sala do tribunal.

 

*